Visão e estímulos visuais

O homem inventou o computador e o Mundo se tornou visual. Claro que a visão sempre foi fundamental. Identificar a fumaça ao longe era vital nos tempos primitivos. Bem como a apreciação da arte aguçou a visão do homem ao longo das civilizações. Mas, não há como negar que a tecnologia alterou nossos hábitos completamente. Checar emails, sites de relacionamentos, internet, aplicativos tornou-se algo cotidiano. Sem falar nas inúmeras atividades profissionais que hoje estão inevitavelmente ligadas ao uso imprescindível do computador. E é a visão, o principal dos sentidos, que nos liga a tudo isso.

Imagem originalmente publicada em http://www.computer-vision-syndrome.org/Entretanto, a exposição constante e por tempo prolongado às telas luminosas introduziu um novo distúrbio antes desconhecido: a Síndrome da Visão de Computador (CVS) do inglês “Computer Vision Syndrome”. Ocorre que, ao fixar o olhar durante o uso, as pessoas acabam piscando apenas seis a oito vezes por minuto, quando o normal seria de quinze a vinte vezes, provocando ressecamento ocular. Além disso, focalizar a visão para perto constantemente ocasiona um maior esforço de acomodação do cristalino o que pode levar a astenopia, caracterizada por cansaço, cefaléia e dor ocular. A astenopia acontece por erros de refração não corrigidos como hipermetropia, miopia, astigmatismo ou presbiopia.

Sendo assim, para solucionar ou minimizar esses sintomas, os oftalmologistas recomendam o adequado posicionamento do monitor, sempre abaixo da linha dos olhos para que as pálpebras não fiquem muito abertas e causem ressecamento. Além disso, evitar a exposição direta a ventiladores, saídas de ar condicionado ou calefação ou em casos mais acentuados não fazer uso destes. Umidificadores de ambiente podem ser úteis. Ainda, a instilação de lágrimas artificiais ajuda a aliviar a sensação de ardência, mas a prescrição de óculos, para quem apresenta ao exame oftalmológico algum grau significativo que contribua na exacerbação dos sintomas, é fundamental.

Os tipos de erros refrativos do olho humano são os seguintes:

A miopia ocasiona visão turva à distância e é o tipo mais comum. Ocorre quando o olho é muito longo ou quando a córnea muito curva. Esse comprimento excessivo faz com que os raios luminosos, após passarem pelos meios ópticos, formem a imagem antes da retina, fornecendo ao cérebro uma imagem sem foco do objeto visualizado.

Ao contrário da miopia, a Hipermetropia provoca visão turva principalmente para perto, podendo também causar baixa acuidade visual para média e longa distância e é causada por um olho muito curto ou uma córnea muito plana. Os raios luminosos, ao passarem pela córnea e pelo cristalino não são convergidos o suficiente pelo olho, portanto a imagem vista se forma atrás da retina, ficando borrada.

Já o astigmatismo ocorre quando as superfícies que compõem o globo ocular como a córnea ou, menos comumente, o cristalino apresentam diferentes raios de curvatura. Neste caso o olho não consegue focalizar claramente a nenhuma distância. Existem vários tipos de astigmatismo, alguns provocam maior deficiência visual, dependendo do eixo que se localiza ou da forma deste.

Entretanto, diferente dos erros de refração citados, a presbiopia é um distúrbio que afeta todas as pessoas, normalmente a partir dos 40 anos de idade. À medida que o ser humano envelhece, a lente natural do olho sofre uma esclerose progressiva das fibras de colágeno, perdendo a capacidade de acomodação. Essa perda de flexibilidade do cristalino, que pode ocorrer independentemente da catarata, é freqüentemente acompanhada por perda da visão de perto.

Todos os tipos de graus citados são passíveis de correção por óculos, lentes de contato, cirurgia refrativa a laser ou por implante de lentes intra-oculares. Cada caso deve ser avaliado individualmente por exame oftalmológico completo pelo médico oftalmologista. Caso a cirurgia seja necessária ou desejada, exames complementares que avaliem a espessura, curvatura e a saúde das células da córnea são fundamentais. Atualmente, os tomógrafos de córnea como Pentacam e Orbscan tornaram-se indispensáveis na avaliação pré-operatória.

Atenção especial deve ser dada às crianças hoje extremamente conectadas. Além da limitação do tempo diário em frente à tela, consultas médicas desde a infância precoce garantem o desenvolvimento adequado da visão. Os professores e os pediatras são grande aliados nesta prevenção. São esses profissionais que podem observar dificuldades nas crianças, assim como orientar os pais da necessidade de consulta oftalmológica. Baixo rendimento escolar, dificuldade em ler a distância, cansaço e cefaléia durante ou após o esforço visual prolongado são sintomas apresentados. Como rotina, além do “teste do olhinho” realizado ao nascer, a primeira avaliação ocular completa deve ser feita até o sexto mês de vida, a segunda até o segundo ano de vida e após anualmente ou conforme a orientação médica.

Graças aos avanços tecnológicos, estamos sofrendo um processo de adaptação aos novos estímulos visuais. O cérebro humano tem recebido uma carga muito maior de informações através do sentido tátil e visual e isso certamente proporcionará o desenvolvimento de seres com novas habilidades. Portanto, cuide da sua visão para conectar-se cada vez mais e melhor com o Mundo.