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8
maio

TRANSPLANTE DE CÓRNEA: como funciona a doação de córneas e ingresso em lista?

doacao cornea

O transplante de córnea é uma cirurgia realizada em pacientes que perderam parcialmente a visão por causa de doenças ou traumas na córnea e que não obtiveram melhora através do tratamento clínico (remédios ou colírios) ou por meio de outras alternativas como óculos, lentes de contato ou procedimentos cirúrgicos.

Nesta cirurgia a córnea do doente (receptor) é substituída pela córnea de um doador, o qual foi ao óbito e a família doou os órgãos, para recuperar a visão do paciente.
As córneas doadas passam por um rigoroso processo de avaliação por meio de testes laboratoriais do sangue do doador e da qualidade da córnea doada em banco de córneas específicos credenciados ao Ministério da Saúde. Nestes locais as córneas são classificadas em aptas ou não para serem utilizadas em transplantes.

 

As doenças que mais frequentemente requerem tratamento por transplante de córnea são: Ceratocone ou análogos como a Degeneração Marginal Pelúcida, Ceratopatia Bolhosa (edema de córnea pós cirurgia intra-ocular), Distrofias Estromais (Granular, Lattice, Macular), Distrofia de Fuchs (perda do endotélio corneano), opacidades cicatricias (pós trauma ou infecções), queimadura, rejeição de transplante prévio, etc.

 

São considerados diagnósticos agravantes para priorização do transplante: córnea perfurada, descementocele (afinamento importante da córnea), úlcera de córnea sem resposta ao tratamento, idade inferior a 7 anos e opacidade corneana bilateral, retransplante após falência primária do enxerto (quando a córnea foi a falência imediatamente após o transplante), tracoma IV.

 

Caso necessário transplante de córnea, após a avaliação do oftalmologista especialista em córnea, cadastrado no Ministério da Saúde, o paciente ingressa na lista de espera através do preenchimento do formulário padrão o qual é encaminhado para a Central de Transplantes (órgão do Estado que controla a distribuição das córneas doadas no RS).

A lista de espera no RS tem sido de 30 a 60 dias, o mesmo tempo de espera de centros renomados de transplante de córnea como o Banco de Olhos de Sorocaba. Esta lista é única no Estado, independente do método de ingresso (particular, convênio ou SUS). É a Central de Transplantes que determina qual será o próximo em lista beneficiado com a doação.
Após inscrever-se na lista de espera de córnea, o paciente poderá migrar para outro médico ou instituição e, de acordo com as normas legais, para efeito de distribuição de tecido, considera-se a data da inscrição já existente em outro local, sendo assim, o receptor após solicitar sua transferência (por escrito), terá sua posição recalculada na fila de transplante e conseqüentemente a liberação da córnea.
A córnea é uma DOAÇÃO e portanto não existe qualquer custo sobre o tecido.

Ao ser chamado para o transplante, o médico avisará o paciente da oferta de córnea e a data do procedimento será agendada, o qual será realizado provavelmente dentro de 1 a 2 dias.
Na avaliação pré operatória, os pacientes que tiverem resultados recentes de exames (até 6 meses), poderão trazê-los, como por exemplo:

Topografia, Ultrassonografia, Biometria, Paquimetria, Microscopia Especular, PAM entre outros.

Para os pacientes que não tiverem estes exames em mãos, não há problema pois os mesmos serão solicitados e realizados na data da avaliação.

 

Exames laboratoriais “Pré-Operatórios” e liberação clínica do médico assistente para cirurgia oftalmológica com anestesia local e sedação deverá ser providenciado pelo paciente.
Caso a córnea seja liberada para transplante e o paciente por algum motivo não possa fazer a cirurgia naquele momento, esse não perderá posição na lista. Desde que, o receptor não tenha excedido o limite de afastamento de até 30 dias.

Se o afastamento do receptor exceder o tempo de 30 dias, o paciente será removido da fila de transplante.
O técnica cirúrgica de eleição varia caso a caso e será determinada pelo oftalmologista. Independente do tipo de transplante, penetrante (de toda espessura da córnea), lamelar anterior (DALK) ou lamelar posterior (DMEK), as córneas doadas passam pelo mesmo processo de seleção e o receptor pelo mesmo pelo mesmo processo de ingresso em lista.
Em geral, os transplantes de córnea apresentam alta taxa de sucesso, recuperando a visão e portanto melhorando sobremaneira a qualidade de vida daqueles pacientes com patologias graves de córnea.

16
abr

CATARATA: cirurgia segura e eficaz.

thumb_IMG_0519_1024A catarata causa baixa de acuidade visual progressiva pela opacidade do cristalino, a lente natural do olho. Graças ao grandes avanços tecnológico nesta área, os equipamentos e materiais sofisticados, aliados ao treinamento médico continuado, tornaram a cirurgia muito mais segura e eficaz.
O aperfeiçoamento das lentes intra-oculares vem contribuindo com excelentes resultados. Lentes capazes de corrigir visão de longe e perto (bifocais e trifocais) e também para astigmatismo (tóricas) existem e possibilitam a independência total ou quase total dos óculos após a cirurgia.
A cirurgia consiste na remoção o cristalino por ultra-som, através de uma pequena incisão na córnea e colocar uma lente intra-ocular, que é um novo cristalino artificial. Já existe a tecnologia a laser que no momento auxilia em alguns passos do procedimento, ainda sendo necessário o ultra-som para concluir a cirurgia.
É realizada com anestesia tópica (colírio anestésico) e sedação rápida. Utilizada mundialmente, é a anestesia mais segura, pois evita os riscos da técnica antiga por bloqueio peri-bulbar (injeção de anestésico na órbita). Desta forma, o paciente sai do procedimento sem curativo no olho. Entretanto, o uso da anestesia tópica exige um maior treinamento do cirurgião, o que faz com esse método seja preferido por equipes especializadas e treinadas para tal, como a equipe da Ocular Clínica Oftalmológica.
Para garantir a segurança e eficácia dos procedimentos e a independência dos óculos, uma criteriosa avaliação pré-operatória deve ser feita.
Em primeiro lugar, uma longa conversa com o oftalmologista é necessária para que ele entenda as suas expectativas e necessidades. O entendimento dos riscos e benefícios pelo paciente também é muito importante.
É primordial a realização da consulta completa que inclua dilatação da pupila e mapeamento da retina. E exames complementares como a topografia ou tomografia corneana, microscopia especular e ecobiometria cuidadosa em aparelhos de última geração são fundamentais para que o médico decida junto ao paciente pela melhor lente intra-ocular.
Essas lentes são definitivas e não precisam ser trocadas, a exemplo de outras próteses. Ao realizar o procedimento, opta-se preferencialmente por lentes intra-oculares de última geração que possam corrigir os erros refracionais como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, promovendo desta forma a reabilitação total da visão, muitas vezes sem a necessidade de usar óculos após a cirurgia.
Quanto ao pós-operatório, o procedimento é indolor e não requer afastamento das atividades por longo período. A recuperação visual ocorre de forma bem rápida, mas pode ainda sofrer melhora gradual durante os dias subsequentes.
Deixar a catarata evoluir demasiadamente pode determinar uma cirurgia de maior risco. Além disso, se o cristalino ficar com um volume maior, o paciente pode apresentar um glaucoma secundário e, conseqüentemente, uma cegueira irreversível.
Certamente, uma vez escolhido o profissional (membro das sociedades brasileiras de catarata e implantes intra-oculares), feita a avaliação completa, realizado o procedimento com os melhores equipamentos e lentes e tento todos os cuidados necessários no pós-operatório, a cirurgia será um sucesso e os óculos provavelmente serão abandonados!

24
jul

Síndrome da visão do computador pode ser evitada

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Dr. Terla Castro fala ao Programa Vida&Saúde sobre como evitar a síndrome da visão do computador.  Na edição do programa não foi incluído um aspecto fundamental.  Dr. Terla cita a importância de excluir em consulta oftalmológica a presença de alterações oculares como Síndrome do Olho Seco, estrabismo, erros de refração como miopia, hipermetropia e astigmatismo e a presbiopia (vista cansada). Uma vez excluído ou tratada estas questões o paciente pode ser um portador da Síndrome da Visão do Computador. Veja o programa neste  link.

7
dez

Visão e estímulos visuais

O homem inventou o computador e o Mundo se tornou visual. Claro que a visão sempre foi fundamental. Identificar a fumaça ao longe era vital nos tempos primitivos. Bem como a apreciação da arte aguçou a visão do homem ao longo das civilizações. Mas, não há como negar que a tecnologia alterou nossos hábitos completamente. Checar emails, sites de relacionamentos, internet, aplicativos tornou-se algo cotidiano. Sem falar nas inúmeras atividades profissionais que hoje estão inevitavelmente ligadas ao uso imprescindível do computador. E é a visão, o principal dos sentidos, que nos liga a tudo isso.

Imagem originalmente publicada em http://www.computer-vision-syndrome.org/Entretanto, a exposição constante e por tempo prolongado às telas luminosas introduziu um novo distúrbio antes desconhecido: a Síndrome da Visão de Computador (CVS) do inglês “Computer Vision Syndrome”. Ocorre que, ao fixar o olhar durante o uso, as pessoas acabam piscando apenas seis a oito vezes por minuto, quando o normal seria de quinze a vinte vezes, provocando ressecamento ocular. Além disso, focalizar a visão para perto constantemente ocasiona um maior esforço de acomodação do cristalino o que pode levar a astenopia, caracterizada por cansaço, cefaléia e dor ocular. A astenopia acontece por erros de refração não corrigidos como hipermetropia, miopia, astigmatismo ou presbiopia.

Sendo assim, para solucionar ou minimizar esses sintomas, os oftalmologistas recomendam o adequado posicionamento do monitor, sempre abaixo da linha dos olhos para que as pálpebras não fiquem muito abertas e causem ressecamento. Além disso, evitar a exposição direta a ventiladores, saídas de ar condicionado ou calefação ou em casos mais acentuados não fazer uso destes. Umidificadores de ambiente podem ser úteis. Ainda, a instilação de lágrimas artificiais ajuda a aliviar a sensação de ardência, mas a prescrição de óculos, para quem apresenta ao exame oftalmológico algum grau significativo que contribua na exacerbação dos sintomas, é fundamental.

Os tipos de erros refrativos do olho humano são os seguintes:

A miopia ocasiona visão turva à distância e é o tipo mais comum. Ocorre quando o olho é muito longo ou quando a córnea muito curva. Esse comprimento excessivo faz com que os raios luminosos, após passarem pelos meios ópticos, formem a imagem antes da retina, fornecendo ao cérebro uma imagem sem foco do objeto visualizado.

Ao contrário da miopia, a Hipermetropia provoca visão turva principalmente para perto, podendo também causar baixa acuidade visual para média e longa distância e é causada por um olho muito curto ou uma córnea muito plana. Os raios luminosos, ao passarem pela córnea e pelo cristalino não são convergidos o suficiente pelo olho, portanto a imagem vista se forma atrás da retina, ficando borrada.

Já o astigmatismo ocorre quando as superfícies que compõem o globo ocular como a córnea ou, menos comumente, o cristalino apresentam diferentes raios de curvatura. Neste caso o olho não consegue focalizar claramente a nenhuma distância. Existem vários tipos de astigmatismo, alguns provocam maior deficiência visual, dependendo do eixo que se localiza ou da forma deste.

Entretanto, diferente dos erros de refração citados, a presbiopia é um distúrbio que afeta todas as pessoas, normalmente a partir dos 40 anos de idade. À medida que o ser humano envelhece, a lente natural do olho sofre uma esclerose progressiva das fibras de colágeno, perdendo a capacidade de acomodação. Essa perda de flexibilidade do cristalino, que pode ocorrer independentemente da catarata, é freqüentemente acompanhada por perda da visão de perto.

Todos os tipos de graus citados são passíveis de correção por óculos, lentes de contato, cirurgia refrativa a laser ou por implante de lentes intra-oculares. Cada caso deve ser avaliado individualmente por exame oftalmológico completo pelo médico oftalmologista. Caso a cirurgia seja necessária ou desejada, exames complementares que avaliem a espessura, curvatura e a saúde das células da córnea são fundamentais. Atualmente, os tomógrafos de córnea como Pentacam e Orbscan tornaram-se indispensáveis na avaliação pré-operatória.

Atenção especial deve ser dada às crianças hoje extremamente conectadas. Além da limitação do tempo diário em frente à tela, consultas médicas desde a infância precoce garantem o desenvolvimento adequado da visão. Os professores e os pediatras são grande aliados nesta prevenção. São esses profissionais que podem observar dificuldades nas crianças, assim como orientar os pais da necessidade de consulta oftalmológica. Baixo rendimento escolar, dificuldade em ler a distância, cansaço e cefaléia durante ou após o esforço visual prolongado são sintomas apresentados. Como rotina, além do “teste do olhinho” realizado ao nascer, a primeira avaliação ocular completa deve ser feita até o sexto mês de vida, a segunda até o segundo ano de vida e após anualmente ou conforme a orientação médica.

Graças aos avanços tecnológicos, estamos sofrendo um processo de adaptação aos novos estímulos visuais. O cérebro humano tem recebido uma carga muito maior de informações através do sentido tátil e visual e isso certamente proporcionará o desenvolvimento de seres com novas habilidades. Portanto, cuide da sua visão para conectar-se cada vez mais e melhor com o Mundo.